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Encontre o equilíbrio para liderar

Por que encontrar harmonia entre a força e a afetividade é tão importante para os líderes

Por Fabio Eltz*
Como encontrar o equilíbrio e ainda corresponder às expectativas da organização, dos pares e dos funcionários? | <i>Crédito: Pixabay
Como encontrar o equilíbrio e ainda corresponder às expectativas da organização, dos pares e dos funcionários? | Crédito: Pixabay
Todos nós esperamos que o líder seja um super-herói, alguém capaz de motivar a equipe, suportar pressões, colocar seu conhecimento e experiência à disposição para que o grupo alcance resultados. Mas também queremos ser comandados por pessoas que não se sintam intimidadas em momentos decisivos, por exemplo, quando é necessário repreender um membro da equipe, corrigir a rota do time, demitir aqueles que não estão agregando valor à empresa. 

Em resumo, desejamos que os líderes sejam doces e fortes ao mesmo tempo. Mas como encontrar este equilíbrio e ainda corresponder às expectativas da organização, dos pares e dos funcionários?
 
Afetividade na liderança
 
Um líder cordial, que ouve os colaboradores, considerando suas opiniões e sentimentos tende a estabelecer uma relação de confiança com o grupo. Na prática, aquele que sente boas intenções nas atitudes do líder tende a partilhar mais informações e a cooperar com o que for necessário, seja em desafios da área, momentos de excesso de tarefas ou atividades que não façam parte da rotina.
 
Quando um líder não projeta afetividade, tendemos a nutrir por ele certo desprezo ou inveja, muitas vezes julgando que ele não merece o cargo que ocupa. Como consequência, nos sentimos desmotivados a contribuir. Nesse caso, os benefícios financeiros da empresa precisam ser significativos para compensar a insatisfação com o gestor. Ainda assim, a tendência é de que o colaborador não demore a deixar a equipe ou a companhia. 
 
Força na liderança
 
Admiramos pessoas fortes e, intimamente, também desejamos ser assim. Queremos demonstrar nossas próprias competências e que os outros as percebam. No ambiente de trabalho, por exemplo, a tendência é de queremos sugerir as melhores ideias, enfrentar desafios, inovar. E desejamos isso também do nosso líder: que ele seja forte, admirável e bem posicionado. 
 
Projetar força é manter uma posição firme diante das situações, ter iniciativa, sustentar opiniões e estar disposto a resolver problemas. É possível ver a projeção de força do líder em situações simples. Por exemplo, é comum uma área impor tarefas de forma inadequada à outra, como refazer um trabalho. Neste momento, a equipe que se sente prejudicada espera que seu líder não aceite a demanda ou negocie a melhor forma de realizar a entrega. O líder que perde a oportunidade de defender os interesses da equipe transparece fragilidade, por aceitar imposições de maneira passiva. 
 
O desequilíbrio
 
Excesso de afetividade no líder tende a despertar nos colaboradores sentimentos de solidariedade e pena. Alguns chegam a falar mal do gestor, apontando seus defeitos, mas sem deixar de ser gentis com ele, mas, de certa forma, tendem a acabar negligenciando na cooperação. 
 
Por outro lado, liderança com muita força e nenhuma afetividade chega a despertar raiva nos colaboradores, que passam a questionar as atitudes do gestor e, em alguns casos, resulta em boicote ao trabalho. Nesses casos, muitos membros da equipe se questionam: “como alguém que não é legal pode ser competente?”. É tarefa difícil confiar e cooperar com alguém insensível, que ostenta poder e superioridade. 
 
Encontre o equilíbrio entre as forças
 
Encontrar o equilibro entre projetar afetividade e força pode ser uma tarefa difícil, pois o dinamismo do ambiente de trabalho requer jogo de cintura para perceber qual é o momento adequado para deixar cada uma em evidência. Aqui vão algumas orientações:
 
1. Estabeleça conversas sinceras com o time - Para projetar afetividade é preciso que as informações sejam transmitidas para o time de maneira clara e objetiva, sem ênfase emocional, porém com um direcionamento positivo e de maneira que eles fiquem cientes da realidade da situação. Por exemplo, ao falar sobre erros no trabalho, deixe claro que a conversa está existindo justamente porque você acredita que todos têm potencial de fazer certo. Franqueza e educação ajudam as pessoas a perceber a intenção do líder.

2. Desenvolva seu papel de ouvinte – Esteja aberto a ouvir sobre as dificuldades de seus colaboradores e as ideias que eles têm em mente. Essa atitude mostra que você tem interesse pelo seu time. Gestores que não adotam essa postura perdem oportunidades valiosas de estreitar o relacionamento com a equipe e melhorar a rotina do trabalho. 

3. Reconheça suas limitações – O papel do líder é viabilizar e não fazer tudo da área. Dessa forma, por exemplo, se você entende que não é tão bom em planejamento e que algum membro de sua equipe executa bem a tarefa, dê essa segurança a esse profissional. É bem visto quando o líder demonstra honestamente seus pontos fracos e fortes. Claro que os fracos devem ser menos expressivos. Mas este reconhecimento da realidade impacta bem a equipe.
 
Em síntese, quando um líder sabe que é forte, tende a ser mais aberto, ser menos ameaçador e se sentir menos ameaçado. Quando está confiante, tende a projetar autenticidade e afeto nos membros da equipe. Encontre o equilíbrio e boa sorte com sua equipe!

* Este artigo é de autoria de Fabio Eltz, psicólogo e coordenador do Núcleo Técnico da Integração Escola de Negócios.

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